Ó São Paulo vive um momento conturbado na reta final da temporada. Isso fez com que o presidente Júlio Casares concedesse uma entrevista coletiva no CT da Barra Funda, na tarde desta sexta-feira (28), para explicar o que está acontecendo no clube.
Após a goleada por 6 a 0 para o FluminenseLuiz Gustavo fez um forte desabafo na saída do campo. O jogador admitiu a culpa da equipe na derrota, mas, sem citar a diretoria de Casares, cobrou ‘direção’ e um ‘plano claro’ ao clube. Na coletiva, o mandatário respondeu ao atleta chamando a responsabilidade para todos.
“Vejo com normalidade até a frustração dele, é a nossa. É um grande profissional, e a mensagem que mais tocou é que não apontou A, B ou C. É uma questão coletiva. Nisso está o presidente, comissão técnida, diretoria, atletas, estão todos, agora é olhar para frente e esperar que tudo que acontece. Temos uma reflexão a fazer”, disse o dirigente.
Além disso, a fala causou repercussão no CT da Barra Funda, onde se reuniram jogadores, dirigentes e comissão técnica para tratar dos acontecimentos no Rio de Janeiro. Rui Costa, um dos membros da diretoria, teve uma conversa interna e privada com o meiarevelado por Casares.
“O Rui atendeu ele [Luiz Gustavo]quando você fala que nada acontece por acaso, vê 15 lesionados, essa falta de competitividade, não é normal esse excesso de lesões. O próprio Luiz teve um problema e a instituição ficou do lado dele, chegou a ficar seis meses parado se eu não me engano. São erros coletivos. Tendo essa constatação, é olhar para frente. A questão do investimento eu tenho trabalhado muito, atribuição do presidente também é comercial. A presença do presidente tem credibilidade para fazer isso acontecer. Estamos trabalhando em 26 há muito tempo e vamos ter uma definição para depois do Brasileirão”.
Por fim, Júlio Casares enumerou os próprios erros e admitiu que o ano do São Paulo foi abaixo do esperado. Vale lembrar que Tricolor perdeu três e venceu apenas um dos últimos cinco jogos. A situação deixa a equipe de Hernán Crespo fora da zona de classificação para a próxima edição da CONMEBOL Libertadores até aqui, ocupando apenas a oitava colocação com 48 pontos.
“Difícil enumerar erros. O erro do presidente foi delegar, sentir que o planejamento teve falha. O erro é coletivo. 2024 foi difícil, competimos contra o Botafogo, nos acendeu que estávamos em um bom caminho. Mas depois sofremos com lesões. Acho que foi esse caminho. Não gosto de individualizar”.
“Foi um ano ruim acentuado pelo resultado de ontem. Quando ainda estávamos com o Zubeldia, muitos falavam que éramos candidatos ao rebaixamento e tivemos uma reação, hoje estamos no 8° lugar. Estou aqui fazendo uma meaculpahoje conversei muito com o Belmonte, temos um caminho de união”, finalizou.
Vexame no Rio e bastidores da saída de Carlos Belmonte
Anunciada oficialmente pelo São Paulo pouco tempo após ter sido noticiada pela ESPNa saída de Carlos Belmonte da diretoria de futebol tem contornos importantes sobre os bastidores do clube do Morumbi.
O cartola havia perdido prestígio interno há algum tempo por conta justamente de um racha com o presidente Júlio Casares, muito em função da eleição presidencial no fim de 2024. Tanto é que sequer estava indo aos jogos e, dos recentes, o único em que esteve presente foi o clássico com o Corinthians.
De acordo com apuração, a chegada de Márcio Carlomagno, superintendente de futebol que passou a ter “portas abertas” dentro do CT, “carregou o ambiente”, principalmente por conta da boa relação de Belmonte com os atletas.
Carlomagno, aliás, é provável candidato da situação para a próxima eleição, o que nunca foi aceito por Belmonte. Outro ponto de discordância do agora ex-diretor de futebol aconteceu na suposta parceria para as categorias de base que Casares negociou, mas que parece ter esfriado.
Derrota no Maracanã foi a segunda maior no século
O amargo 6 a 0 diante do Fluminense, no Rio de Janeiro, foi a foi a segunda maior derrota do Tricolor no século. De 2001 para cá, a equipe paulista só havia sido pior em uma única oportunidade: quando levou 7 a 1 do Vascoem novembro daquele ano, também pela Série A.
Na ocasião, o São Paulo teve Rogério Ceni expulso ainda no primeiro tempo e, com um a menos, foi superado com sobras por um Vasco inspirado. Romário, por exemplo, marcou quatro vezes no confronto disputado em São Januário, que marcou a carreira do goleiro Alencar, reserva que teve que substituir Ceni.
Desde então, a equipe do Morumbi nunca mais havia perdido por seis gols de diferença. Chegou perto, é verdade, quando levou 6 a 1 do Coríntiostambém pelo Brasileirão, mas em 2015, quando o rival, já campeão nacional, atuou com uma equipe reserva e fez bonito na Neo Química Arena.
